FPAS quer contribuir para uma solução de ventilação assistida não invasiva

No seguimento da situação mundial que estamos a viver devido ao COVID 19, em que Portugal também está a ser afetado por esta pandemia cujos números continuam a engrossar por cada dia que passa.

O isolamento social é uma medida que permite controlar o contágio entre pessoas e, para isso o contributo de todos é fundamental. Ficar em casa para nos ajudarmos uns aos outros evitando o contágio.

No entanto, neste contexto de pandemia temos observado um crescente número de infetados por SAR-CoV 2 que necessitam de recorrer a sistemas de ventilação assistida.

De acordo com a Direção Geral de Saúde uma pessoa infetada necessita em média, 11 dias de internamento, até recuperar. Até esta quarta-feira, 1 de abril, foram registadas 187 mortes causadas por COVID 19 (mais 27 do que no dia anterior) e um total de 8251 pessoas infetadas em Portugal, mais 808 do que na segunda-feira (30 de março).

Os números são do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) que indicam também que há 726 pessoas internadas e 230 nos cuidados intensivos (mais 42 do que no dia anterior). Estes números são atualizados diariamente, mas através deles percebemos que todos os dias temos mais pessoas internadas a precisar de ventilação assistida. Perante esta situação e tendo em conta que a previsão será de mantermos esta tendência crescente, assume-se que o Serviço Nacional de Saúde não terá capacidade para dar resposta a esta situação, como tal a sociedade civil deverá dar o seu contributo.

Neste seguimento, a Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas tem a possibilidade de mobilizar os seus associados e a indústria ligada às atividades subaquáticas, no sentido de encontrar uma solução de ventilação assistida utilizando um número relevante de garrafas de alta pressão, utilizadas na prática do mergulho recreativo e técnico, que poderão ser utilizadas para armazenar misturas de ar enriquecido ou mesmo 100% oxigénio.

Mas o uso de garrafas por si só não é suficiente, razão pela qual, é necessário estabelecer parcerias com fabricantes de material de mergulho, com o intuito de transformar as máscaras faciais em terminais de ventilação respiratória não invasiva, seja de débito continuo ou com válvula inspiratória a pedido.

Num possível cenário, onde haverá falta de “vasilhame” para transporte e administração de oxigénio e de ventiladores tradicionais, esta solução apresentada pela FPAS, que tem como objetivo responder a situações de ventilação respiratória de pré-emergência, pode ser uma resposta viável, sobretudo para ser utilizada nos hospitais de campanha que estão a ser instalados em quase todas as regiões do país, como resposta de segunda linha, uma vez que as unidades hospitalares estão a atingir a sua capacidade máxima de ocupação.

A apresentação desta solução de ventilação assistida vai ao encontro da missão da Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas que, no cumprimento do seu papel de Instituição de Utilidade Publica Desportiva, oferece a sua disponibilidade e conhecimento, para apoiar o processo de afetação dos equipamentos acima referidos, com o propósito de contribuir para a mitigação da escassez previsível de equipamentos de ventilação respiratória tradicionais, esperando contribuir assim para a recuperação de mais pessoas infetadas.

Ajudar a SALVAR VIDAS é, modestamente, o propósito desta iniciativa da FPAS.
A Experiência Italiana

Esta solução apresentada pela Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas já está a ser implementada em Itália cuja dimensão da pandemia ganha contornos mais dramáticos.

Depois de ter adaptado máscaras faciais de mergulho com a criação de peças através de impressão 3D em menos de seis horas, uma empresa italiana desenvolveu um sistema alternativo viável para ventilação assistida.

A verdade, é que o sistema já foi testado num doente nos cuidados intensivos num hospital italiano e resultou. Agora só falta ser aprovado pelas autoridades de saúde, mas enquanto isso não acontece o uso deste equipamento está sempre dependente da autorização do doente.

Ou seja, uma vez que a máscara nem o sistema de ventilação são certificados pelas autoridades de saúde competentes, o uso está sujeito a uma situação de necessidade obrigatória. O uso do sistema pelo paciente está sujeito à aceitação dele em usar um dispositivo biomédico não certificado, através da assinatura de uma declaração de consentimento. Em Portugal também poderia ser aplicado o mesmo procedimento para o consentimento da utilização do sistema ventilatório assistido a ser criado.

Fonte: FPAS, 03/04/2020