CDP Entrevista: “Lisboa pretende ser a partir de 2021 uma capital do Desporto para sempre”

Para debater o tema “Lisboa Capital Europeia do Desporto”, a rubrica CDP Entrevista desta semana contou com a presença de Nuno Delgado, chefe de Missão Lisboa Capital Europeia do Desporto e João Graça, diretor executivo dos 7ºs Jogos Mundiais de Desporto para Todos, TAFISA 2021, de forma a avaliar o impacto que esta nomeação traz à cidade de Lisboa.

«A Capital Europeia do Desporto é um grande desígnio da cidade e um grande desígnio do nosso país. É um trabalho que tem sido desenvolvido por vários interlocutores desde 2015, quando surge este sonho de Portugal puder vencer em palco Europeu, perante outras grandes capitais», foi a definição encontrada por Nuno Delgado para explicar melhor os princípios da Capital Europeia do Desporto, que acabou mesmo por transformar o sonho em realidade. «Devo recordar que conseguimos rebatar este título à Haia, que é uma cidade com uma dimensão desportiva muito grande. A partir de 2017 Lisboa assumiu este compromisso, compromisso esse que foi também essencial pela participação dos nossos agentes desportivos, nomeadamente os clubes da cidade, juntas de freguesia e mesmo entidades empresarias que se têm envolvido, e feito este caminho que foi designado ´Road to Lisboa 2021´». Um esforço que contou com o apoio de vários intervenientes e que nem a pandemia conseguiu abalar. «Conseguimos preparar uma estratégia, um programa muito importante e que desde já, já é vencedor pelo impacto que tem tido nesta primeira fase de lançamento da Capital Europeia do Desporto que foi apresentada no dia 14 de abril».

Dos vários projetos em cima da mesa, está a realização dos 7ºs Jogos Mundiais de Desporto para Todos TAFISA, Lisboa 2021 que vão decorrer entre 18 e 24 de junho num formato virtual. Sobre a importância deste evento para a capital portuguesa, o chefe de Missão Lisboa Capital Europeia do Desporto relembrou que, Lisboa muito mais do que desenvolver um calendário de atividades, vai acima de tudo, durante pelo menos um ano, liderar aquilo que são os destinos das opções estratégicas a nível Europeu, com os vários parceiros. «Haia que é a capital europeia em 2023, a Glasgow, a Génova, e já envolvemos Paris e Madrid que são as duas grandes cidades da Europa do ponto de vista desportivo. Em conjunto queremos traçar um caminho até 2024, onde se realizarão os Jogos Olímpicos da Europa, e Lisboa está a fazer esse trabalho de fundo que agora vai começar a ser materializado, porque já se começam a sentir algumas oportunidades para ultrapassamos a pandemia, e usarmos o desporto como uma ferramenta de capacitação da nossa saúde, e de envolvimento das questões sociais que se tem levantado ao longo deste período». De acordo com Nuno Delgado, «a pandemia trouxe o desafio de estarmos mais ligados através daquilo que é o grande ensinamento do desporto, que é o espirito de equipa, a capacidade de cooperação, Lisboa pretende ser a partir de 2021 uma capital do desporto para sempre. Queremos evoluir e vamos aproveitar ao máximo as oportunidades que a Capital Europeia do Desporto vai oferecer». Uma das vantagens reconhecidas é o fato de Lisboa ter sido a capital verde e nesse âmbito ter batido recordes extraordinários do ponto de vista daquilo que são os indicadores ecológicos da cidade, tendo-se tornado mais ecológica e sustentável. Para Nuno Delgado, esta oportunidade serve essencialmente para o cidadão comum se reinventar. «A continuidade que queremos trazer para a Capital Europeia do Desporto é agora que temos infraestruturas exteriores com muita qualidade, nomeadamente ciclovias, espaços verdes, mesmo as apostas que estamos a fazer na requalificação dos acessos ao rio Tejo, temos que nos centrar naquilo que é o amago do desporto, que são os campeões. E os nossos campeões não são apenas as Telmas Monteiros do Judo, as Patricias Mamonas do atletismo, são o cidadão comum da cidade de Lisboa que precisa de ser estimulado a ser mais saudável, a ser mais ativo, mas acima de tudo também a ser mais solidário. Solidário com a sua sociedade, e com o seu próximo».

Aproveitando as palavras do chefe de Missão Lisboa Capital Europeia do Desporto, João Graça revigorou a ideia de que, o desporto para todos também é uma forma de motivar as pessoas a praticarem mais desporto e estarem mais ativas, tendo hábitos de vida mais saudáveis. O diretor executivo dos 7ºs Jogos Mundiais de Desporto para Todos explicou que, «a TAFISA é a Federação Internacional de Desporto para Todos que promove um estilo de vida saudável, muito desporto, jogos tradicionais e socialização». Face aos efeitos da pandemia, o evento que teria lugar marcado em Lisboa, em Belém, e que iria contar com a participação de milhares de pessoas de todo o Mundo, sofreu alterações, tendo sido reconfigurado para um formato digital. «O evento vai contar com a participação de todos estes países a nível Mundial através de vídeos pré-gravados, que depois serão difundidos em diferido, mas que é uma forma de partilha de culturas, e de ter uma janela aberta para o Mundo. Vamos ter também algumas iniciativas que vão promover essa mesma socialização. Temos preparada uma conferência, num estilo um pouco diferente já que vai ser separada em blocos, algumas salas de conversação, onde as pessoas poderão abordar temas diversos, bem como, discussões em torno de jogos tradicionais de todo o Mundo. Para deixar um legado na juventude, a TAFISA vai às escolas, o mote é este, e, portanto, nas escolas de Lisboa vão-se fazer jogos tradicionais, vão-se praticar alguns desportos dito emergentes, desportos menos tradicionais, menos habituais, e a TAFISA vai lá, vai estar com os alunos, vai filmar, vai promover essa atividade física»».

Uma parceria que, aos olhos de Nuno Delgado, tem tudo para dar certo. «Os jogos TAFISA é uma grande aposta do programa da Capital Europeia do Desporto desde o início, é uma das nossas grandes bandeiras. Tivemos agora o Europeu de Judo que foi a primeira das grandes provas internacionais e de apuramento olímpico que, Lisboa fez e que foi um grande sucesso do ponto de vista desportivo. Vamos ter mais dois grandes eventos de cariz olímpico que é já na próxima semana, a K1 Lisbon, Premier League de karaté, e terminaremos os compromissos olímpicos com a Taça do Mundo, no braço de prata de Triatlo. Temos três grandes provas Internacionais Olímpicas, isso é uma coisa altamente inédita em plena pandemia. Em junho temos os jogos TAFISA que no fundo, é uma premissa essencial para o desenvolvimento do país». O chefe de Missão Lisboa Capital Europeia do Desporto não teve dúvidas em assumir que 2021 será um ano de viragem. «Todos vão assumir a bandeira do desporto para todos e perceber os benefícios do ponto de vista da saúde, da interculturalidade, e da relação com os povos. Sendo nós lusófonos, temos aqui uma expressão ainda maior, uma grande responsabilidade, somos a quarta língua mais falada no mundo, e, portanto, os jogos TAFISA estão alinhados com a estratégia da Capital Europeia do Desporto».

Além da organização de jogos Mundiais de Desporto para Todos, a TAFISA organiza também encontros regionais, congressos e uma panóplia de atividades. «Estes jogos foram atribuídos a Portugal através do IPDJ que é membro da TAFISA e que, sendo a entidade que regula o desporto e o desporto para todos em Portugal, candidatou-se à organização destes jogos», explicou João Graça, informando ainda que, desde o início, a Confederação do Desporto em Portugal foi o grande parceiro deste evento em quem, «o IPDJ delegou a organização e a execução destes jogos. A Câmara Municipal de Lisboa é coorganizadora, uma vez que, se passa em Lisboa e coincide exatamente com Lisboa Capital Europeia do Desporto, e com a Presidência Europeia de Portugal».

Mais do que recordar a infância, partilhar e reaprender sobre os jogos tradicionais, este evento inovador e digital, pretende deixar um legado não só em Portugal, mas também para o Mundo. «Vamos fazer uma videoteca de jogos tradicionais que depois ficará e poderá ser acrescida de mais jogos ao longo dos anos», concluiu o diretor executivo dos 7ºs Jogos Mundiais de Desporto para Todos, TAFISA 2021.

Para Nuno Delgado, Lisboa quer aproveitar esta mais valia para associar aos jogos TAFISA um projeto que se encontra a decorrer com as juntas de freguesia, designado de ´Rua Ativa´. «A Capital Europeia do Desporto está, neste momento, a fazer um programa de ativação dos clubes do ponto de vista financeiro. O Fernando Medida anunciou um pacote de 20 milhões que é um pacote bastante significativo para uma cidade, tendo em conta os valores que o próprio Estado está a potenciar, um reforço muito importante para cerca de 150 clubes que fazem a principal atividade da cidade. Os nossos objetivos estão focados em requalificar o tecido desportivo, dar-lhes condições para puderem fazer aquilo que é a sua missão, fazer desporto». Nuno Delgado acredita que a grande vacina para a pandemia é o desporto, onde os jogos TAFISA assentam na perfeição.

Além da mostra de culturas de todo o Mundo e da partilha das atividades tradicionais que os vários países vão exibir, um dos pontos fulcrais do evento será a apresentação dos ditos desportos emergentes, os chamados “desportos menos clássicos”, mas que começam a ter alguma expressão a nível Mundial. «São jogos que não têm Campeonatos do Mundo, a maior parte não tem participação nos Jogos Olímpicos», argumentou João Graça, defendendo que isso não os impede de “darem nas vistas”. É o caso do Teqball, um jogo «espécie de ping-pong com uma bola de futebol». Segundo Nuno Delgado, esta modalidade é a «terceira com mais visualizações na Internet, já é mais do que um desporto tradicional, já é um desporto praticado pelos melhores jogadores de futebol do mundo».

Ganhar o espírito e sabedoria que o desporto proporciona a todas as áreas que lhe são subjacentes é a missão primordial dos debates quinzenais da “CDP Entrevista”, que se realizam às terças-feiras, pelas 21h, com transmissão em direto no Facebook da Confederação do Desporto de Portugal.

Como diria Nuno Delgado, o desporto não faz apenas campeões. «Um campeão inspira e esse é o lema da Cidade Europeia. Lisboa inspira, e inspira porque o reflexo da inspiração é essencial para a saúde, mas também inspira porque nos faz sonhar como podemos ser melhores. E neste momento toda a gente precisa de sonhar um bocadinho para se transcender».

Fonte: CDP, 28/04/2021