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CDP Entrevista… O maior desafio foi provar do que éramos capazes!

A terceira rubrica “CDP Entrevista…” que teve lugar no passado dia 15, abordou “O Desporto em Saltos Altos” e contou com a participação da Elisabete Jacinto, piloto do Dakar e vencedora do Africa Eco Race 2019, Marina Frutuoso Melo, Cavaleira e Heptacampeã de Portugal em Salto de obstáculos, Mónica Jorge, diretora do Futebol Feminino da Federação Portuguesa de Futebol, e Ticha Penicheiro, ex-basquetebolista e campeã da WNBA e atual agente de jogadores.

Numa conversa informal e descontraída, começou-se por conhecer o percurso de cada uma das oradoras e como enveredaram pela profissão ou modalidade que desempenham.

Pelo meio da partilha das suas aventuras e desventuras, Elisabete Jacinto conta como encontrou o caminho do todo-o-terreno, um pouco pelo desafio e “voto de confiança” dos seus amigos que diziam “tu és capaz” e que se concretizou na participação na sua primeira prova, que apesar da sua desistência face a um problema mecânico, a tornou “a pessoa mais feliz daquela corrida”, por ter feito “muito mais do que aquilo que pensava que era capaz de fazer”. Foi nesse momento que a piloto descobriu que “era muito mais capaz, muito mais forte que aquilo que achava que era” e que esta era realmente a sua paixão “verdadeira, profunda” e que nunca mais a largou.

Ticha Penicheiro, inspirada pela família, descobriu o caminho do basquete com 5, 6 anos. O seu percurso teve início em campos de rua, e habituada a ser “a única rapariga no meio dos rapazes, e eles ao princípio, claro, pensavam que uma rapariga não sabia jogar basquete”, mas aos poucos “fui sendo aceite”. Começou a mandar “as primeiras bolas ao cesto” no ginásio figueirense, onde teve como primeiro treinador, o seu pai, e é aqui que o sonho americano nasce. E para isso, tinha o seu lema “lutar e trabalhar para que os sonhos se concretizassem e agora, olhando para trás, sabe que fiz exatamente isso”.

Marina Frutuoso Melo, filha de cavaleiros, também sentiu a inspiração para a equitação através da sua família e desenvolveu muito cedo “uma empatia e uma ligação grande” com os cavalos. Tentou sempre seguir os passos da sua irmã mais velha, mas quando esta abandonou a carreira de competição a Marina continuou, construiu a carreira que lhe dá “muito prazer” e que a deixa “muito orgulhosa”.

Enquanto acompanhava o seu pai ao estádio para ver os jogos do Académica de Coimbra, Mónica Jorge aprendeu “desde pequenina a perceber de futebol e a lidar com as táticas e com os jogadores”. A este facto juntou-se o gosto pela modalidade e a prática do mesmo com os primos, que culminou num percurso inteiramente ligado ao futebol, sem imaginar que chegaria a “selecionadora e depois mais tarde diretora da Federação Portuguesa de Futebol”. e afirmando que “foi o gosto e a paixão por algo, que a fez “chegar até aqui”.

Quando questionada a existência de algum momento difícil, em que tenha sido posta em causa a continuidade do percurso, Elisabete Jacinto revela que o desafio maior era “provar a mim própria e aos outros aquilo de que era capaz e do que queria fazer”. Mas a sua maior dificuldade foi o seu “primeiro dakar, que foi o mais difícil deles todos”. “Não sabia o que é que me esperava, estava convencida de que era capaz, que era uma supermulher, tinha uma força extraordinária, tinha uma força de vontade inderrubável, que nada me pararia e que eu nunca duvidei um único só segundo e nunca me perguntei a mim própria então e se não chegares ao fim, e se não fores capaz, estava 100% segura de que ia ser capaz”. Mas na realidade, o que aconteceu foi que ao cair, Elisabete não conseguiu levantar a mota. “No todo-o-terreno nós sabemos que (…) vamos preparados para cair e temos de saber cair e levantar todas as vezes e não conseguir levantar a mota do chão significava não ia ser capaz de chegar ao fim.” Mas sem desistir, encarou as coisas com outra perspetiva e procurou saber “o que é preciso para chegar ao fim”.

Sem conseguir escolher apenas um momento difícil, Mónica Jorge revela que “quando tomamos decisões temos as consequências das mesmas, sejam más, sejam boas, temos de saber lidar com isso e nem sempre a nossa tomada de decisão é compreendida de maneira fácil”. Ainda assim, não desistiu e ressalva que “tudo é ultrapassável com a nossa força de vontade, com o nosso querer, e de facto, quando temos paixão e acreditamos nas coisas, é sempre uma mais valia para continuarmos a caminhar no processo”.

A decisão mais difícil que Ticha Penicheiro teve de tomar foi “deixar o país, a família, a figueira, os amigos e ir sozinha para os Estados Unidos, para ir atrás do meu sonho”. Mas afirma que foi a decisão acertada, “olhando para trás, tenho a certeza, que se não tivesse saído para os Estados Unidos a minha carreira não chegaria onde chegou”.

Num momento mais emotivo, Marina Frutuoso Melo revelou que o momento mais difícil da sua carreira foi a perda do seu “companheiro”, que era o seu cavalo, com o qual fez “os principais resultados”. Mas sem querer desistir, “foi por ele e por mim” que continuou.

As melhores memórias para Ticha Penicheiro são as amizades que guarda e todas as viagens e vitórias que conquistou. “Sonhei sempre muito alto e tinha grandes expetativas para a minha carreira individual, mas decididamente foram ultrapassadas”.

Entre as melhores recordações que Mónica Jorge tem da sua carreira, destaca as “qualificações para campeonatos da europa, das seleções mais jovens, que nunca tinha acontecido anteriormente e agora, recentemente com as seniores, para uma fase final do campeonato da europa”. Mas às vezes os melhores momentos não são vividos na primeira pessoa, pois fica “muito contente quando uma jogadora (…) cumpre os seus sonhos e nós, Federação Portuguesa de Futebol, pudemos ajudar a que esse sonho seja concretizado”.

Marina Frutuoso Melo teve muitas vitórias que lhe trouxeram alegria, “não só competições ao nível de campeonatos da europa, campeonatos nacionais, todas essas competições onde estamos ao lado dos melhores e é importante estar, porque faz-nos crescer imenso”, mas destaca o momento quando teve a primeira filha e passado 10 dias, participou no campeonato nacional que acabou mesmo por vencer, com o seu cavalo especial, e foi um momento “duplamente especial porque nem eu estava à espera de fazer isso”.

Para Elisabete Jacinto houve um momento muito importante que a incentivou a continuar, quando deixou as motas e começou com os camiões. “Quando eu chego à meta e o controlador me disse que eu tinha ganho, entre todos os camiões que estavam presentes naquela corrida, eu não podia acreditar que fosse verdade e naquele momento fiquei a pessoa mais feliz do mundo”. “Isso foi um momento que me incentivou bastante, porque naquela altura eu vivia muitas dificuldades, para criar condições, para aprender, para evoluir, era uma luta enorme e aquela vitória, foi um bocadinho aquela mensagem: não, está ao teu alcance, tens muitas barreiras para ultrapassar mas podes ir por aí fora, portanto não há que desistir”.

Respondendo à pergunta de um seguidor do Facebook, que questionava o significado de vencer no desporto enquanto mulher, Marina Frutuoso Melo responde que “vencer é resultado de imenso trabalho, de imenso esforço, nós pomos imenso de nós e acima de tudo para conseguir isso, temos de nos convencer que conseguimos”.

Elisabete Jacinto diz que “nós vivemos numa sociedade que é muito marcada pelo estereotipo em que nós, raparigas, somos educadas de que esta ou aquela ou a outra tarefa não estão ao nosso alcance, nem é para nós (…) senti sempre o peso desse estereotipo”. Mas, com o objetivo de alcançar o topo da classificação geral, a piloto recordava as palavras que ouvia no tempo em que competia de mota e que marcaram o seu percurso “é mulher, como é mulher não é capaz”, agora “queria mostrar a toda a gente que não era por ser mulher que não ia atingir o meu objetivo”.

“Todos os momentos menos bons, todas as dificuldades, todo o pequeno choro que se tem quando se sente que não está a ser bem compreendida, se as dúvidas aparecem e se não estamos no caminho certo, todos estes momentos quando ultrapassados acho que é sempre o vencer da mulher no desporto”, afirma Mónica Jorge e remata com “todo o sacrifício que a mulher faça no desporto vale a pena, é uma forma de vencer (…) e talvez por isso não desistimos à primeira, nem à segunda, nem à terceira e continuamos cá”.

Já Ticha Penicheiro considera que “como somos mulheres é preciso batalhar nos estereótipos, não só no desporto, mas na sociedade em geral, e acho que olhando para trás, estamos em 2020, e acho que demos já muitos passos em frente e o importante é continuar a batalhar”.

Por último, todas deixaram uma mensagem a quem sente, por vezes, vontade de desistir. Marina Frutuoso Melo começa por dizer que é preciso “buscar o positivo” e “construir com base no bom, naquilo que temos de bom e acreditar, porque é importantíssimo acreditar que somos capazes porque somos capazes de muito mais do que aquilo que às vezes pensamos”.

Elisabete Jacinto acrescenta que “todos os sonhos se podem realizar, desde que a gente queira, desde que a gente acredite que os pode realizar, desde que a gente estabeleça o nosso objetivo com muita clareza e trabalhe para ele com muita dedicação e muito empenho, acreditando que lá consegue chegar”.

Mónica Jorge dirige a sua mensagem à “nova geração de pais”, porque são eles “que estão a dar liberdade de escolha aos seus filhos, do que querem fazer, do que querem praticar” e que estão “a mudar a nossa cultura”.

Já Ticha Penicheiro fecha o debate com a mensagem de “acreditem nos vossos sonhos, sonhem alto e depois, claro, têm de trabalhar para que os sonhos se realizem, porque realmente não cai do céu.” “Nunca ninguém me tocou com uma varinha mágica quando eu nasci, tive de enfrentar muitas dificuldades, mas no fim valeu sempre a pena.”

Para a semana voltamos a ter encontro marcado, pelas 19:00, em direto no Facebook da CDP.

Fonte: CDP, 17/07/2020

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